segunda-feira, 16 de março de 2009

Sujeitos Estranhos com Predicados Esquisitos - Inspetor Bugiganga

História de hoje: A carona maldita
(Baseado em fatos reais)

Hoje vamos contar uma história ímpar muito engraçada de um sujeito apelidado pelos amigos de Inspetor Bugiganga. Este apelido carinhoso se deu pois este personagem não vive sem sua maleta preta recheada de inúmeros segredos que desafiam a coragem dos que tentam descobrir seu conteúdo. Há quem diga que alguns dos segredos militares mais bem guardados são mantidos pelo Inspetor Bugiganga nesta maleta.
Ninguém sabe sua origem nem a razão exata pela qual o Inspetor Bugiganga é tão cuidadoso e meticuloso com sua maleta. Sua pasta lhe acompanha sempre em sua vida e por mais que pareça desprotegida debaixo de sua mesa, seu dono sabe de todos os mínimos detalhes que possam indicar que seu conteúdo foi adulterado. Desde sua posição espacial no ambiente físico até as marcas digitais deixadas na senha numérica configurada, todos os detalhes sempre foram percebidos por seu dono desafiando a curiosidade e perseverança de seus inimigos. De qualquer forma, sempre continuará existindo um tom misterioso que cerca esta famosa maleta e infelizmente ainda não temos estas informações.
Muitos já tentaram descobrir estes segredos mas não conseguiram. Um caso recente teve a participação do motoqueiro Wally, uma criatura que aparenta ser inofensiva mas que tentou sabotar por diversas vezes o conteúdo da maleta do inspetor. Por felicidade do inspetor, ainda não foi desta vez, Wally.
Bom, agora que já ilustramos alguns detalhes da vida do inspetor Bugiganga, contaremos a vocês uma história que por mais inacreditável que possa aparecer, aconteceu de fato com o ilustríssimo inspetor.
Por volta de 1992, nosso amigo trabalhava sem nenhuma ligação governamental e sua maleta servia apenas para guardar suas ferramentas e papeladas que eram necessárias para sua função. Um de seus clientes mais habituais morava próximo a sua casa e um certo dia, o inspetor recebeu a visita inesperada deste cliente convidando-o a visitar sua empresa na manhã do dia seguinte. A combinação era simples: As 07:00 da manhã daquele dia um carro da marca Volkswagen Voyager na cor dourada passaria na mesma esquina que o inspetor costumava esperar seu ônibus para lhe dar uma carona. Neste carro estariam presentes o dono da empresa e seu filho aguardando a chegada do inspetor. Caso o referido veículo não aparecesse neste horário combinado, o inspetor se deslocaria normalmente de ônibus até a empresa de seu cliente.
Como não poderia ser diferente, pontualmente as 07h daquele dia, o inspetor estava parado aguardando ancioso o voyager de seu cliente ou o ônibus de linha que o levaria ao seu objetivo.
Conforme previsto, o voyager dourado dobrou a esquina pontualmente, Bugiganga esticou seu braço solicitando sua parada e rapidamente nosso amigo entrou pela porta de trás e sentou-se confortavelmente no veículo. Sua valiosa maleta ficou em seu colo como de costume. "Vamos!" foram as palavras de Bugiganga, quando a porta se fechou. Após a partida, Bugiganga sentiu algo estranho no ar. Aquele silêncio insurdecedor não era comum. Nenhum "bom-dia" foi dado pelos ocupantes do carro e Bugiganga chegou a pensar que seus clientes estavam apenas com sono. Seria fácil compreender isso visto que o dia a recém tinha raiado.
Dois ou três minutos já haviam se passado quando Bugiganga, surpreso, se deparou com outra maleta preta ao seu lado, disposta no banco do carro. Imediatamente ele pensou: "Que estranho esta maleta. O pai do meu amigo não tinha maleta nenhuma..." A princípio nenhum problema aparente, até que, no espelho do retrovisor do motorista, Bugiganga repara que aqueles olhos que o fitavam não eram muito familiares. Ao olhar com mais atenção, Bugiganga notou que este mesmo motorista era completamente calvo, quase totalmente careca, diferente daquele conhecido pai de seu amigo. Com mais atenção ainda, constatou que nunca tinha visto aqueles seres antes em sua vida.
Naquele momento o mundo certamente parou e bugiganga queria descer. A esta altura, o motorista já devia ter reparado que corria uma lágrima do olho de Bugiganga, destilava frio de seu rosto ao mesmo tempo que sua perna tremia tanto que cutucava as costas dos ocupantes do carro.
É inacreditável pensar racionalmente nestas horas que o pânico toma conta, mas Bugiganga, em um ato rápido de coragem, falou tranquilamente: "Que sorte vocês terem passado por aqui. Meu ônibus está atrasado e tenho um compromisso que não pode ser perdido. Por isso pedi uma carona."
Logicamente que paralelo a isso, ele pensou: "@#P.Q.P@# Deus!!! Porque fez isso comigo? O que foi que eu te fiz?"
Raiva, vergonha, estupidez, imbecilidade, mico do ano ou mesmo da vida inteira, etc... Certamente foram estes pensamentos que maltratavam a cabeça de Bugiganga naqueles tristes momentos de viagem.
Qualquer homem ficaria desanimado, entristecido, acanhado, mas não Joseph Climber! OPS, digo, Não o Inspetor Bugiganga...
Mesmo querendo se atirar violentamente contra o vidro da janela ou perguntar "Quem sou eu? Hãh? Onde está você?", Bugiganga respirou fundo, parou de tremer suas pernas e calmamente proferiu sua última frase: "Se vocês me largarem próximo ao Shopping Lindóia, já está bom." E por mais surreal que isso possa parecer, seu serviço de "táxi gratuito" atendeu seu desejo largando-o no local mencionado.
Quando Bugiganga desceu do carro, uma sensação de paz contrastada com um sorrisinho sem-graça acompanhou-o até chegar no endereço de seu cliente. Quando chegou lá, recebeu a informação chocante que seu cliente não viria trabalhar naquele dia. Outro "Puta que o pariu!" foi dito em alto e bom som, mas desta vez verbalmente.
Tenham certeza que aquele foi o último compromisso marcado entre O Inspetor Bugiganga e aquele cliente.
Aguardem novos capítulos.

Um comentário:

  1. Ah sr. Bugiganga! isso parece uma estória no legítimo clima twin peaks!.

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